Polio Plus

Após 20 anos de trabalho árduo, o Rotary conjuntamente com os seus parceiros estão conseguir erradicar este mal. Mas, será preciso um golpe final para acabar com ele de uma vez por todas. Esta é a hora.

A Poliomielite é uma doença em erradicação pela vacinação dirigida das mais diversas instituições envolvidas, causada por um vírus, que causa paralisia por vezes mortal.
VIRSUS

  • Grupo: Grupo IV ((+) ssRNA)
  • Família: Picornaviridae
  • Género: Enterovirus
  • Espécie: Enterovirus poliovirus

O poliovírus é um enterovírus, com genoma de RNA simples (unicatenar) de sentido positivo (serve directamente como RNAm para a síntese proteica).
Existem três sorotipos, distintos imunologicamente, mas idênticos nas manifestações clínicas, excetos 85% dos casos de poliomielite paralítica (o mais grave tipo) que são causados pelo sorotipo 1.
O vírus não tem envelope bilipídico, é recoberto apenas pelo capsídeo e é extremamente resistente às condições externas.

O período entre a infecção com o poliovírus e o início dos sintomas (incubação) varia de 3 a 35 dias. A descrição seguinte refere-se à poliomielite maior, paralítica, mas esta corresponde a uma minoria dos casos. Na maioria o sistema imunológico destrói o vírus em alguma fase antes da paralisia.
A infecção é oral e há invasão e multiplicação do tecido linfático da faringe (tonsilas ou amígdalas). Ele é daí ingerido e sobrevive ao suco gástrico, invadindo os enterócitos do intestino a partir do lúmen e aí multiplicando-se. As manifestações iniciais são parecidas com as de outras doenças virais. Podem ser semelhantes às infecções respiratórias (febre e dor de garganta, gripe) ou gastrointestinais (náuseas, vómitos, dor abdominal). Em seguida dissemina-se pela corrente sanguínea e vai infectar por essa via os órgãos. Os mais atingidos são o sistema nervoso incluindo cérebro, coração e o fígado. A multiplicação nas células do sistema nervoso (encefalite) pode ocasionar a destruição de neurónios motores, o que resulta em paralisia flácida dos músculos por eles enervados.
As manifestações clínicas da infecção são variadas e podem ser descritas em quatro grupos:


Doença assimptomática: mais de 90% dos casos são assimptomáticos, com limitação efectiva pelo sistema imunitário da infecção à faringe e intestino. Não há sintomas e a resolução é rápida sem quaisquer complicações.


Poliomielite abortiva ou Doença menor: ocorre em 5% dos casos, com febre, dores de cabeça, dores de garganta, mal-estar e vómitos, mas sem complicações sérias.


Poliomielite não-paralítica com meningite asséptica: ocorre em 1 ou 2% dos casos. Além dos sintomas iniciais da doença menor, ocorre inflamação das meninges do cérebro com dores de cabeça fortes e espasmos musculares mas sem danos significativos neuronais.


Poliomielite Paralítica: de 0,1 a 2% dos casos. Após os três ou quatro dias depois dos sintomas iniciais da doença menor desaparecerem (ou cerca de 10 dias depois de se iniciarem), surge a paralisia devido a danos nos neurónios da medula espinal e córtex motor do cérebro. A paralisia flácida (porque os membros afectados são maleáveis ao contrário da rigidez que ocorre noutras doenças) afecta um ou mais membros, e músculos faciais. O número de músculos afectados varia de doente para doente e tanto pode afectar apenas um grupo discreto como produzir paralisia de todos os músculos do corpo. Se afectar os músculos associados ao sistema respiratório ou o centro neuronal medular que controla a respiração subconsciente directamente, a morte é provável por asfixia. A paralisia respiratória é devida à poliomielite bulbar, que afecta esses nervos: a taxa de mortalidade da variedade bulbar é 75%. As regiões corporais paralisadas conservam a sensibilidade. Se o doente sobreviver alguns poderão recuperar alguma mobilidade nos músculos afectados, mas frequentemente a paralisia é irreversível. A mortalidade total de vítimas da poliomielite paralítica é de 15 a 30% para os adultos e 2 a 5% para crianças.


A síndrome pós-poliomielite atinge cerca de metade das vítimas de poliomielite muitos anos depois da recuperação (por vezes mais de 40 anos depois). Caracteriza-se pela atrofia de músculos, presumivelmente pela destruição no tempo da doença de muitos neurónios que os enervavam. Com a perda de actividade muscular da velhice, a atrofia normal para a idade processa-se a taxas muito mais aceleradas devido a esse factor.